Manduca era um menino mentiroso, tão
mentiroso, que ninguém mais acreditava nele.
Inventava as mais extravagantes coisas para
ver se lhe davam crédito; e se alguém caía, ria-se gostosamente.
Todas as tardes o rapazinho ia tomar banho no
rio, divertindo-se em nadar muito bem, mergulhado e só aparecendo a grande
distância.
Uma vez lembrou-se de gritar:
— "Socorro!... socorro!... estou morrendo!..."
No mesmo instante tio Lucas, um pescador, que
estava consertando as redes, atirou-se à água, e foi em seu auxílio.
Chegando perto, o menino deu uma grande gargalhada,
e mergulhando, foi sair na outra margem. Passados dias, repetiu-se o mesmo
fato, e tio Lucas, mais uma vez, atirou-se ao rio, julgando que podia ser
verdadeiro o grito de socorro.
Vendo-se novamente ludibriado, o pescador ficou
aborrecido com aquela criança que não respeitava os seus cabelos brancos.
Decorridos algumas semanas, tio Lucas estava à
beira do rio, quando ouviu gritar:
—"Socorro!... socorro!..." estou
morrendo!..."
Reconhecendo o pequeno Manduca, deixou-se
ficar tranquilamente sentado.
Mas desta vez era sério. O menino fora acometido
de uma câimbra e não podendo nadar, morreu afogado.
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Pesquisa, transcrição e adequação ortográfica: Iba Mendes (2025)
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