3/25/2025

Novas diabruras de Pedro Malazarte ("Histórias da Baratinha"), por Figueiredo Pimentel



NOVAS DIABRURAS DE PEDRO MALAZARTE

I  -  A PELE DO CAVALO

Pedro Malazarte vivia pobremente numa pequena situação que arrendara.

Não tendo quem o auxiliasse, não dispondo de dinheiro, via-se reduzindo a cultivar por suas próprias mãos a terra.

Só possuía um cavalo, um velho animal, magro e lazarento, que imprestável para o serviço do Exército, havia sido vendido em leilão.

Apesar de trabalhar como um negro, a fazendola de Pedro não prosperava.

Vizinho dele havia um abastado lavrador, dono de muitas terras, rebanhos e gado, além de quatro cavalos, fortes, possantes, bonitos, que trabalhavam a valer, atrelados ao arado.

Esse fazendeiro, que se chamava Fulgêncio, propôs um dia a Pedro um negócio. Malazarte trabalharia os seis dias úteis da semana, na fazenda, e no domingo na sua roça, emprestando-lhe o vizinho os quatro animais.

Assim, nos domingos, servindo-se dos cinco cavalos, lavrava a terra, derribava árvores, removendo-as com zorras, e vivia mais satisfeito.

Desde pela madrugada já estava ele na lida. Pelas nove horas da manhã quando os camponeses passavam para a missa, Pedro fazia estalar o chicote, impando de vaidade, e orgulho; e pra que o ouvissem, gritava:

— "Eta! meus cinco cavalos!"

Sabendo daquilo, Fulgêncio foi procurá-lo e disse-lhe:

— "Sabes perfeitamente que os cavalos são meus, e que só tens um punga, muito velho e muito magro. Por isso, não quero que digas mais "meus cinco cavalos", para fazer constar que eles te pertencem".

Malazarte, porém, não fez caso das observações do vizinho, que por mais de uma vez o ameaçou.

Em todos os domingos, assim que passava qualquer pessoa perto dele, exclamava:

— "Eta! meus cinco cavalos!"

Desesperado com aquilo, Fulgêncio pegou num grosso cacete, e dirigindo-se para o velho animal. deu-lhe tamanha pancada na cabeça, que o prostrou morto no chão.

Malazarte desesperou com aquele procedimento do vizinho, mas nada lhe fez, porque o outro era mais forte do que ele e tinha dinheiro.

Para não perder tudo, tirou a pele do cavalo, e foi vendê-lo na cidade.


II - O SURRÃO MAGICO

Da sua roça até à cidade, a distância era grande, e Pedro teve de fazer a jornada a pé.

Fazendo da pele do cavalo um grande rolo, pô-la ao ombro, e saiu de casa.

Para chegar ao seu destino, era-lhe preciso andar muito e atravessar uma grande floresta de muitas léguas de extensão.

Pouco prático nos caminhos perdeu-se, sem poder achar saída.

Já estava resolvido a passar a noite debaixo de uma árvore, quando viu brilhar ao longe uma luz. Para lá se dirigiu, e pouco depois chegava a uma cada de bela aparência, pertencente a uma fazenda.

Vendo uma das janelas abertas, espiou através dos vidros, e viu a dona da casa ceando em companhia de um padre.

A ceia era excelente, um frango assado, uma empada, pão e algumas garrafas de vinho.

À vista da comida excitou-lhe o apetite. Compreendendo, todavia, que a porta lhe não seria aberta àquelas horas da noite, resolveu-se a buscar abrigo em outra parte.

Achando aberta a cavalariça, deitou-se sobre a palha e procurou adormecer.

Havia poucos minutos que se achava deitado, quando ouviu tropel de patas de cavalo e pouco depois entraram na cavalariça.

Era o fazendeiro que voltava inopinadamente de uma viagem.

Encontrando aquele estranho, perguntou-lhe que fazia ali.

Malazarte explicou como se havia perdido na mata, dizendo que não quisera incomodar ninguém, suponho que todos estivessem dormindo.

O fazendeiro, que era um bom homem, convidou-o então, para entrar, cear e dormir na cama que mandaria preparar.

Ouvindo o galopar do animal, D. Bibiana, a esposa do fazendeiro, compreendeu que ele acabava de chegar, sem ser esperado. E como o marido tinha a mania de não gostar de padres, não podendo vê-los sequer, tratou de esconder o reverendo que ceava com ela.

Aberta a porta, depois de algum tempo, disse ao marido que estava dormindo. Nesse intervalo aproveitara para fazer desaparecer a comida que estava sobre a mesa.

Miguel Lopes, que assim se chamava o dono da casa, pediu alguma coisa para cear, porque estava com muita fome.

Bibiana tirou-lhe apenas um pedaço de carne e pão, que ficara do jantar.

Malazarte sentou-se para cear deixando a seu lado a pele do cavalo enrolada.

Estava comendo havia alguns minutos, quando de repente deu um pontapé no embrulho dizendo:

— "Fica quieto, meu surrão!"

— "Com quem é que o senhor está conversando?" Perguntou Miguel intrigado.

— "É com este surrão mágico que me está a dizer inconveniências".

— "É mágico?"

— "É sim".

— "E que lhe disse ele?"

— "Disse-me que havia feito aparecer dentro do armário uma empada e um frango assado para nós cearmos".

— "Será possível?", exclamou o fazendeiro. "Vai ver, Bibiana".

A mulher, que sabia bem ser verdade, foi ao armário, e, fingindo-se admiradíssima trouxe a ceia.

Continuaram novamente, quando, pela segunda vez, Malazarte dirigiu-se ao surrão:

— "Fica quieto, meu surrão".

— "Que está outra vez a dizer?", indagou Miguel Lopes, curiosamente.

—"Que acabava de fazer aparecer algumas garrafas de Porto".

Indo Bibiana buscá-las, e trazendo-as, o fazendeiro ficou encantado.

— "Mas esse seu surrão é em verdade maravilhoso!", disse a Pedro.

— "Ora! O senhor ainda não viu nada. Se quiser, sou capaz de fazer com que ele lhe mostre o diabo".

— "Se fizer isso, meu caro, proclamo-o a maior preciosidade do mundo inteiro".

Pedro Malazarte fingiu que conversava com o rolo e ao fim de algum tempo, disse:

— "O surrão declara-se que é capaz, mas há de ser na figura de um padre".

— "Eu logo vi!", bradou Miguel. "E justamente por isso que tenho tanta raiva dessa gentinha!"

—"Pois então venha ver", falou o rapaz.

Levantando-se com o fazendeiro, encaminhou-se para uma grande caixa que havia na sala de jantar, e erguendo a tampa, mostrou o padre, que estava escondido, fechando-a logo em seguida.

— "É mesmo verdade!", disse o ingênuo homem. "Até se parece com a papa-hóstia cá da freguesia!"

Tendo acabado de cear propôs a Pedro comprar-lhe o surrão.

O moço fingiu que não queria, e só depois de muito instado, resolveu-se a deixá-lo por cinco mil cruzeiros.

Fecharam o negócio, ele recebeu o dinheiro e pela madrugada pôs-se a caminho. Levava a caixa onde estava escondido o padre, que Miguel Lopes lhe dera.

— "Para que me serve esta caixa tão pesada. O melhor é atirá-la n’água".

Ouvindo essas palavras, o reverendo saiu de dentro e lançando-se-lhe aos pés suplicou:

— "Pelo amor de Deus, poupe-me a vida!"

— "Só se me passar algum cobre".

Para se salvar, o padre foi obrigado a dar-lhe também cinco mil cruzeiros.

Vendo-se possuidor de tamanha quantia, Pedro Malazarte voltou a sua aldeia.

Chegando à aldeia, em vez de entrar em casa, dirigiu-se para a fazenda de Fulgêncio.

Encontrou-o lavrando as terras, e, aproximando-se dele, disse-lhe:

— "Vim agradecer-lhe, senhor Fulgêncio, o favor que indiretamente me fez".

— "Que favor, rapaz?"

— "O de ter morto o meu cavalo".

— "Quê? estás brincando comigo? Pois em lugar de te zangares ainda te mostras contente?"

— "Ah! é que não sabe o que me sucedeu. A princípio quando vi o meu pobre animal estendido para o não perder de todo, esfolei-o e fui vender a pele na cidade.

Foi uma providência. Imagine que, chegando lá, soube que as peles de cavalo estavam caríssimas, havendo absoluta falta delas no mercado. O primeiro sapateiro a quem me dirigi ofereceu-me mil cruzeiros, mas apareceram logo outros que a disputaram. Fiz uma espécie de leilão e alcancei dez mil cruzeiros".

— "Que me está contando, Pedro", disse Fulgêncio.

— "Se o senhor duvida, aqui está a prova".

E Pedro mostrou-lhe os maços de dinheiro, contando-os ali mesmo.

Em vista disso, o fazendeiro não pôs a menor dúvida.

Assim que Malazarte se retirou, meteu a faca em todos os seus quatro cavalos, tirou-lhes a pele, e tomou o caminho da cidade.

Ai chegando, ofereceu à venda as peles.

Apareceram vários sapateiros, que lhe perguntaram por que preço as deixava.

— "Quarenta mil cruzeiros", respondeu Fulgêncio.

Uma gargalhada geral foi a resposta que teve; mas insistindo ele naquela quantia absurda, os negociantes revoltaram-se.

Pensaram que deles estava debicando, e armando-se de grossos cacetes, deram-lhe uma sova tremenda.

Serenado o barulho, Fulgêncio compreendeu que havia sido ludibriado pelo rapaz e protestou vingar-se das pancadas e do prejuízo que sofrera.


IV - A MORTE DA VELHA

Desesperado da vida, Fulgêncio chegou à casa alta noite. Aí, sem querer comer, nem se deitar, apanhou uma vara de ferro, grossa e pesada, e tomou a direção da choupana do vizinho.

Pedro, receando a cólera do lavrador, não pernoitara dentro da palhoça, indo deitar-se ao ar livre.

A porta estava aberta, e Fulgêncio entrou.

Vendo no escuro uma pessoa deitada na cama, deu-lhe com a barra de ferro, e saiu, julgando que havia morto o rapaz.

Enganara-se, porém. Era uma vizinha que ali estava dormindo, tendo pedido pousada por aquela noite.

Pela manhã Malazarte entrou. Vendo o cadáver da velha, compreendeu o que se havia passado, e deu graças a Deus por haver escapado milagrosamente.

Engendrou logo mais uma diabrura.

Não quis ir queixar-se à polícia e até ocultou a morte da velha.

Pegou no cadáver, vestiu-o direito, sentou-o num carro, que pediu emprestado, e, guiando-o ele mesmo, tocou para a cidade.

No meio do caminho, à beira da estrada, parou junto a uma venda. Apeou-se, deixando o cadáver sentado, entrou, pedindo cerveja.

Enquanto estava bebendo, disse para o taverneiro:

— "Prapare-me aí um bom refresco, e vá levá-lo à minha avozinha que está no carro. Pode ser que ela esteja cochilando ou dormindo; e como, além de tudo, é surda que nem uma pedra, faça favor de gritar, bem alto, de modo que ela ouça".

O taverneiro era um homem que zangava por qualquer coisa, e no momento de raiva, tornava-se furioso, nada respeitava.

Preparou um copo de groselha e foi para onde estava a velha.

Começou a chamá-la em altas vozes, mostrando-lhe o refresco. Não tendo resposta, perdeu a tramontana, e bateu-lhe com o copo na cara.

Malazarte que, contando com aquilo mesmo já estava à espera, apareceu exclamando:

— "O senhor matou minha avó! Socorro!... Vou avisar a polícia!..."

O dono da venda, julgando que na verdade havia causado a morte da velhinha amedrontou-se.

O cadáver, com o choque, tombou de lado.

Pediu-lhe muitas desculpas, prometeu-lhe tudo para que ele o não denunciasse, e finalmente dinheiro.

Então é que o taverneiro deu-lhe dez mil cruzeiros, ficando ainda obrigado a enterrar o cadáver.

Com aquela quantia, Malazarte voltou para a casa, satisfeitíssimo.


V - O MÉDICO

Ao ver Pedro entrar em sua casa, cheio de vida e saúde, Fulgêncio ficou pasmo, até supondo que via na sua frente uma alma do outro mundo.

— "Senhor Fulgêncio", disse o moço, aparentando um ar humilde, "vim aqui outra vez agradecer-lhe o favor que me prestou".

— "Que favor, rapaz?"

— "O senhor a noite passada entrou lá em casa com tenção de me matar. Vendo um vulto deitado na minha cama, supôs que era eu e descarregou-lhe uma grande pancada com uma vara de ferro. Como vê, enganou-se. Era uma pobre mulher que tinha ido pedir-me hospedagem. Vendo-a morta, carreguei o corpo e fui vendê-lo a um médico muito estudioso, que faz estudos em corpos. E vai ele pagou-me estes dez mil cruzeiros".

— "Vai-te embora, Pedro; não me aborreças. Já uma vez me enganaste com a pele dos cavalos, e eu não quero ser debicado segunda vez".

— "Pois quer que acredite, quer não, para mim é a mesma coisa. O certo é que aqui estão dez mil cruzeiros que me rendeu a pelo do meu animal, e outros dez que recebi pelo cadáver. Se não for verdade o que lhe digo, pode me matar".

Fulgêncio, vendo-lhe aquele ar sério, acreditou. Como era ambicioso, e sem coração, matou uma velha criada que o servia havia longos anos, e pegando no corpo foi levá-lo a um médico.

Quando o doutor viu aquela defunta revoltou-se, e censurou acremente a maldade de Fulgêncio. Tendo porém, pena do pobre toleirão, mandou-o em paz.

O lavrador voltou possesso.


VI - OS REBANHOS DO MAR

Definitivamente resolvido a acabar com a vida de Malazarte, Fulgêncio pôs-se de emboscada.

Numa ocasião em que o apanhou descuidado, laçou-o e após amarrado fortemente, meteu-o dentro de um saco.

Carregou-o às costas, e tomou a direção de praia, resolvido a atirá-lo ao mar.

O moço, apesar de franzino e fraco, pesava muitíssimo.

Em meio do caminho,, Fulgêncio, sentindo-se cansado pousou-o no chão e foi mais adiante a uma venda para se refrescar. Tinha a certeza que lhe não escaparia o ardiloso mancebo.

Pouco depois de estar ali Malazarte sentiu passos de gente, e para dar sinal, suspirou:

— "Ai ai! Aqui está uma pobre criatura que hoje vai para os anjinhos!...

Quem passava era um velho pastor, conduzindo numeroso rebanho de carneiros.

Ouvindo aquelas palavras, perguntou:

— "Quem está aí?"

— "É uma pessoa que vai para o céu!"

— "E você está aborrecido por isso?! Quem me dera estar no seu lugar!"

— "Nada mais fácil", disse Pedro. "Abra o saco e fique aí quietinho que daqui a pouco um anjo virá buscá-lo".

— "Aceito", concordou o pastor. "E como indo para o céu de nada mais preciso, tome conta do meu rebanho para você".

Malazarte, desatado pelo pastor, saiu do saco meteu-o dentro, e foi-se embora tocando o rebanho.

Quando Fulgêncio saiu da venda, sem dar pela substituição, carregou o saco às costas, e atirou-o n’água.

Para chegar a casa tinha que passar pelo sítio de Pedro. A primeira coisa que viu foi o rapaz com os carneiros.

Assim que o avistou, Malazarte correu para ele, e bradou:

— "Muito obrigado! muito obrigado, meu bom amigo, meu protetor".

—"Que te sucedeu, rapaz? Pois eu te joguei ao mar?", exclamou o outro boquiaberto.

— "Atirou-me, sim. Pensei que ia morrer. Mas assim que afundei senti que era amparado por qualquer coisa. Ao mesmo tempo notei que me desamarravam o saco e as cordas. Fui transportado a um palácio maravilhoso da Fada das Águas. Ela, que é uma moça formosa, tratou-me muito bem, e deu-me este rebanho. Mandou que uns peixes me conduzissem à tona d'água e aqui estou.

— "Ai! Pedro!" disse Fulgêncio, "perdoa-me tudo quanto te fiz. Pelo amor de Deus atira-me também ao mar, que eu quero um rebanho".

— "Só se o senhor for pelos seus próprios pés".

— "Pois sim", concordou o lavrador.

Puseram-se ambos a caminho. Chegaram à beira-mar. Fulgêncio entrou no caso, que Pedro atou com fortes cordas lançando-o em seguida n'água.

E assim morreu Fulgêncio.


VII - AS BOTIJAS DE AZEITE

Julgando-se muito rico com os vinte mil cruzeiros, Malazarte vendeu o rebanho que lhe dera o pastor, e a casinha onde morava, e foi residir na capital.

Aí, principiou a viver faustosamente, metido em companhia de fidalgos, até que teve entrada no palácio real.

Um dia, conversando com o rei, apostou como seria capaz de trazer três escravas moças e bonitas, em troca de três botijas de azeite que lhe desse o monarca.

Sua majestade aceitou e Pedro saiu da cidade em busca de aventuras.

Dirigiu-se para a casa de uma velhinha, a quem pediu hospedagem, recomendando-lhe que guardasse com cuidado as botijas de azeite.

A velha, não tendo lugar onde as colocar, meteu-as no poleiro.

Alta noite o rapaz levantou-se, quebrou as botijas e besuntou de azeite as galinhas.

Pela manhã, acordando, pediu-as, e indo a velha buscá-las, encontrou-as quebradas.

Malazarte fez grande barulho, dizendo que o azeite era do rei.

Para acalmá-lo, a venha foi obrigada a dar-lhe uma capoeira com seis galinhas, das melhores e mais gordas que tinha.

Só assim Pedro continuou a viagem.

Dali encaminhou-se para outras habitações e fazendo mais ou menos as mesmas artes conseguiu trocar as galinhas por doze perus; os perus por vinte e quatro cabras; as cabras por dois bois e, finalmente, os bois por jóias de ouro.

Prosseguindo na jornada, encontrou alguns homens que levavam um cadáver para enterrar.

Pedro Malazarte, fingindo-se mui cristão e caridoso, pediu aos carregadores que lhe cedessem aquele corpo, para ele próprio inumá-lo, em terreno sagrado.

Os homens não puseram dúvida, estimando até se desembaraçarem daquele fardo.

Mal os carregadores viraram as costas, o moço vestiu o cadáver, enfeitou-o com jóias, e foi bater a uma fazenda.

Disse que aquela rapariga, era a princesa, que ela andava passeando por estar doente, e precisar mudar de ares.

Deram-lhe um quarto, onde ele deitou o corpo, dizendo para o fazendeiro:

— "Ela custa muito a dormir, e chora como uma criança pequena. Quando chorar, metam-lhe o chicote, pois só assim se calará".

Pelo meio da noite, entrou no aposento, e ocultando-se em baixo da cama onde estava a morta, começou a fazer manha.

O fazendeiro, aborrecido com aquele choro, entrou no quarto e bateu na moça, durante muito tempo até que Pedro achou conveniente se calar.

Quando no dia seguinte foram ver a moça, reconheceram o cadáver.

Malazarte chorou, desesperou-se, exclamando que estava perdido, e que o rei mandaria matá-lo e mais o dono da casa.

O fazendeiro, aflito ofereceu-lhe muitas coisas, até que ele próprio exigiu três escravas moças e bonitas.

Dali saindo, contou ao rei o que fizera e ganhou à aposta.



---
Pesquisa, transcrição e adequação ortográfica: Iba Mendes (2025)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sugestão, críticas e outras coisas...