NOVAS DIABRURAS DE PEDRO MALAZARTE
Pedro Malazarte vivia pobremente numa pequena
situação que arrendara.
Não tendo quem o auxiliasse, não dispondo de
dinheiro, via-se reduzindo a cultivar por suas próprias mãos a terra.
Só possuía um cavalo, um velho animal, magro e
lazarento, que imprestável para o serviço do Exército, havia sido vendido em
leilão.
Apesar de trabalhar como um negro, a fazendola
de Pedro não prosperava.
Vizinho dele havia um abastado lavrador, dono
de muitas terras, rebanhos e gado, além de quatro cavalos, fortes, possantes,
bonitos, que trabalhavam a valer, atrelados ao arado.
Esse fazendeiro, que se chamava Fulgêncio, propôs
um dia a Pedro um negócio. Malazarte trabalharia os seis dias úteis da semana,
na fazenda, e no domingo na sua roça, emprestando-lhe o vizinho os quatro
animais.
Assim, nos domingos, servindo-se dos cinco cavalos,
lavrava a terra, derribava árvores, removendo-as com zorras, e vivia mais
satisfeito.
Desde pela madrugada já estava ele na lida.
Pelas nove horas da manhã quando os camponeses passavam para a missa, Pedro
fazia estalar o chicote, impando de vaidade, e orgulho; e pra que o ouvissem,
gritava:
— "Eta! meus cinco cavalos!"
Sabendo daquilo, Fulgêncio foi procurá-lo e
disse-lhe:
— "Sabes perfeitamente que os cavalos são
meus, e que só tens um punga, muito velho e muito magro. Por isso, não quero
que digas mais "meus cinco cavalos", para fazer constar que eles te
pertencem".
Malazarte, porém, não fez caso das observações
do vizinho, que por mais de uma vez o ameaçou.
Em todos os domingos, assim que passava qualquer
pessoa perto dele, exclamava:
— "Eta! meus cinco cavalos!"
Desesperado com aquilo, Fulgêncio pegou num
grosso cacete, e dirigindo-se para o velho animal. deu-lhe tamanha pancada na
cabeça, que o prostrou morto no chão.
Malazarte desesperou com aquele procedimento
do vizinho, mas nada lhe fez, porque o outro era mais forte do que ele e tinha
dinheiro.
Para não perder tudo, tirou a pele do cavalo,
e foi vendê-lo na cidade.
II - O SURRÃO MAGICO
Da sua roça até à cidade, a distância era grande,
e Pedro teve de fazer a jornada a pé.
Fazendo da pele do cavalo um grande rolo, pô-la
ao ombro, e saiu de casa.
Para chegar ao seu destino, era-lhe preciso andar
muito e atravessar uma grande floresta de muitas léguas de extensão.
Pouco prático nos caminhos perdeu-se, sem poder
achar saída.
Já estava resolvido a passar a noite debaixo
de uma árvore, quando viu brilhar ao longe uma luz. Para lá se dirigiu, e pouco
depois chegava a uma cada de bela aparência, pertencente a uma fazenda.
Vendo uma das janelas abertas, espiou através
dos vidros, e viu a dona da casa ceando em companhia de um padre.
A ceia era excelente, um frango assado, uma
empada, pão e algumas garrafas de vinho.
À vista da comida excitou-lhe o apetite. Compreendendo,
todavia, que a porta lhe não seria aberta àquelas horas da noite, resolveu-se a
buscar abrigo em outra parte.
Achando aberta a cavalariça, deitou-se sobre a
palha e procurou adormecer.
Havia poucos minutos que se achava deitado,
quando ouviu tropel de patas de cavalo e pouco depois entraram na cavalariça.
Era o fazendeiro que voltava inopinadamente de
uma viagem.
Encontrando aquele estranho, perguntou-lhe que
fazia ali.
Malazarte explicou como se havia perdido na
mata, dizendo que não quisera incomodar ninguém, suponho que todos estivessem
dormindo.
O fazendeiro, que era um bom homem, convidou-o
então, para entrar, cear e dormir na cama que mandaria preparar.
Ouvindo o galopar do animal, D. Bibiana, a esposa
do fazendeiro, compreendeu que ele acabava de chegar, sem ser esperado. E como
o marido tinha a mania de não gostar de padres, não podendo vê-los sequer,
tratou de esconder o reverendo que ceava com ela.
Aberta a porta, depois de algum tempo, disse
ao marido que estava dormindo. Nesse intervalo aproveitara para fazer
desaparecer a comida que estava sobre a mesa.
Miguel Lopes, que assim se chamava o dono da
casa, pediu alguma coisa para cear, porque estava com muita fome.
Bibiana tirou-lhe apenas um pedaço de carne e
pão, que ficara do jantar.
Malazarte sentou-se para cear deixando a seu
lado a pele do cavalo enrolada.
Estava comendo havia alguns minutos, quando de
repente deu um pontapé no embrulho dizendo:
— "Fica quieto, meu surrão!"
— "Com quem é que o senhor está conversando?"
Perguntou Miguel intrigado.
— "É com este surrão mágico que me está a
dizer inconveniências".
— "É mágico?"
— "É sim".
— "E que lhe disse ele?"
— "Disse-me que havia feito aparecer
dentro do armário uma empada e um frango assado para nós cearmos".
— "Será possível?", exclamou o
fazendeiro. "Vai ver, Bibiana".
A mulher, que sabia bem ser verdade, foi ao
armário, e, fingindo-se admiradíssima trouxe a ceia.
Continuaram novamente, quando, pela segunda
vez, Malazarte dirigiu-se ao surrão:
— "Fica quieto, meu surrão".
— "Que está outra vez a dizer?",
indagou Miguel Lopes, curiosamente.
—"Que acabava de fazer aparecer algumas
garrafas de Porto".
Indo Bibiana buscá-las, e trazendo-as, o fazendeiro
ficou encantado.
— "Mas esse seu surrão é em verdade
maravilhoso!", disse a Pedro.
— "Ora! O senhor ainda não viu nada. Se
quiser, sou capaz de fazer com que ele lhe mostre o diabo".
— "Se fizer isso, meu caro, proclamo-o a
maior preciosidade do mundo inteiro".
Pedro Malazarte fingiu que conversava com o rolo
e ao fim de algum tempo, disse:
— "O surrão declara-se que é capaz, mas há
de ser na figura de um padre".
— "Eu logo vi!", bradou Miguel.
"E justamente por isso que tenho tanta raiva dessa gentinha!"
—"Pois então venha ver", falou o
rapaz.
Levantando-se com o fazendeiro, encaminhou-se
para uma grande caixa que havia na sala de jantar, e erguendo a tampa, mostrou
o padre, que estava escondido, fechando-a logo em seguida.
— "É mesmo verdade!", disse o
ingênuo homem. "Até se parece com a papa-hóstia cá da freguesia!"
Tendo acabado de cear propôs a Pedro comprar-lhe
o surrão.
O moço fingiu que não queria, e só depois de
muito instado, resolveu-se a deixá-lo por cinco mil cruzeiros.
Fecharam o negócio, ele recebeu o dinheiro e
pela madrugada pôs-se a caminho. Levava a caixa onde estava escondido o padre,
que Miguel Lopes lhe dera.
— "Para que me serve esta caixa tão
pesada. O melhor é atirá-la n’água".
Ouvindo essas palavras, o reverendo saiu de
dentro e lançando-se-lhe aos pés suplicou:
— "Pelo amor de Deus, poupe-me a
vida!"
— "Só se me passar algum cobre".
Para se salvar, o padre foi obrigado a dar-lhe
também cinco mil cruzeiros.
Vendo-se possuidor de tamanha quantia, Pedro
Malazarte voltou a sua aldeia.
Chegando à aldeia, em vez de entrar em casa,
dirigiu-se para a fazenda de Fulgêncio.
Encontrou-o lavrando as terras, e, aproximando-se
dele, disse-lhe:
— "Vim agradecer-lhe, senhor Fulgêncio, o
favor que indiretamente me fez".
— "Que favor, rapaz?"
— "O de ter morto o meu cavalo".
— "Quê? estás brincando comigo? Pois em
lugar de te zangares ainda te mostras contente?"
— "Ah! é que não sabe o que me sucedeu. A
princípio quando vi o meu pobre animal estendido para o não perder de todo,
esfolei-o e fui vender a pele na cidade.
Foi uma providência. Imagine que, chegando lá,
soube que as peles de cavalo estavam caríssimas, havendo absoluta falta delas
no mercado. O primeiro sapateiro a quem me dirigi ofereceu-me mil cruzeiros,
mas apareceram logo outros que a disputaram. Fiz uma espécie de leilão e
alcancei dez mil cruzeiros".
— "Que me está contando, Pedro",
disse Fulgêncio.
— "Se o senhor duvida, aqui está a
prova".
E Pedro mostrou-lhe os maços de dinheiro, contando-os
ali mesmo.
Em vista disso, o fazendeiro não pôs a menor
dúvida.
Assim que Malazarte se retirou, meteu a faca
em todos os seus quatro cavalos, tirou-lhes a pele, e tomou o caminho da
cidade.
Ai chegando, ofereceu à venda as peles.
Apareceram vários sapateiros, que lhe perguntaram
por que preço as deixava.
— "Quarenta mil cruzeiros",
respondeu Fulgêncio.
Uma gargalhada geral foi a resposta que teve;
mas insistindo ele naquela quantia absurda, os negociantes revoltaram-se.
Pensaram que deles estava debicando, e armando-se
de grossos cacetes, deram-lhe uma sova tremenda.
Serenado o barulho, Fulgêncio compreendeu que
havia sido ludibriado pelo rapaz e protestou vingar-se das pancadas e do
prejuízo que sofrera.
IV - A MORTE DA VELHA
Desesperado da vida, Fulgêncio chegou à casa
alta noite. Aí, sem querer comer, nem se deitar, apanhou uma vara de ferro,
grossa e pesada, e tomou a direção da choupana do vizinho.
Pedro, receando a cólera do lavrador, não pernoitara
dentro da palhoça, indo deitar-se ao ar livre.
A porta estava aberta, e Fulgêncio entrou.
Vendo no escuro uma pessoa deitada na cama,
deu-lhe com a barra de ferro, e saiu, julgando que havia morto o rapaz.
Enganara-se, porém. Era uma vizinha que ali
estava dormindo, tendo pedido pousada por aquela noite.
Pela manhã Malazarte entrou. Vendo o cadáver
da velha, compreendeu o que se havia passado, e deu graças a Deus por haver
escapado milagrosamente.
Engendrou logo mais uma diabrura.
Não quis ir queixar-se à polícia e até ocultou
a morte da velha.
Pegou no cadáver, vestiu-o direito, sentou-o
num carro, que pediu emprestado, e, guiando-o ele mesmo, tocou para a cidade.
No meio do caminho, à beira da estrada, parou
junto a uma venda. Apeou-se, deixando o cadáver sentado, entrou, pedindo
cerveja.
Enquanto estava bebendo, disse para o taverneiro:
— "Prapare-me aí um bom refresco, e vá
levá-lo à minha avozinha que está no carro. Pode ser que ela esteja cochilando
ou dormindo; e como, além de tudo, é surda que nem uma pedra, faça favor de
gritar, bem alto, de modo que ela ouça".
O taverneiro era um homem que zangava por
qualquer coisa, e no momento de raiva, tornava-se furioso, nada respeitava.
Preparou um copo de groselha e foi para onde
estava a velha.
Começou a chamá-la em altas vozes, mostrando-lhe
o refresco. Não tendo resposta, perdeu a tramontana, e bateu-lhe com o copo na
cara.
Malazarte que, contando com aquilo mesmo já
estava à espera, apareceu exclamando:
— "O senhor matou minha avó! Socorro!... Vou
avisar a polícia!..."
O dono da venda, julgando que na verdade havia
causado a morte da velhinha amedrontou-se.
O cadáver, com o choque, tombou de lado.
Pediu-lhe muitas desculpas, prometeu-lhe tudo
para que ele o não denunciasse, e finalmente dinheiro.
Então é que o taverneiro deu-lhe dez mil cruzeiros,
ficando ainda obrigado a enterrar o cadáver.
Com aquela quantia, Malazarte voltou para a
casa, satisfeitíssimo.
V - O MÉDICO
Ao ver Pedro entrar em sua casa, cheio de vida
e saúde, Fulgêncio ficou pasmo, até supondo que via na sua frente uma alma do
outro mundo.
— "Senhor Fulgêncio", disse o moço,
aparentando um ar humilde, "vim aqui outra vez agradecer-lhe o favor que
me prestou".
— "Que favor, rapaz?"
— "O senhor a noite passada entrou lá em
casa com tenção de me matar. Vendo um vulto deitado na minha cama, supôs que
era eu e descarregou-lhe uma grande pancada com uma vara de ferro. Como vê,
enganou-se. Era uma pobre mulher que tinha ido pedir-me hospedagem. Vendo-a
morta, carreguei o corpo e fui vendê-lo a um médico muito estudioso, que faz
estudos em corpos. E vai ele pagou-me estes dez mil cruzeiros".
— "Vai-te embora, Pedro; não me
aborreças. Já uma vez me enganaste com a pele dos cavalos, e eu não quero ser
debicado segunda vez".
— "Pois quer que acredite, quer não, para
mim é a mesma coisa. O certo é que aqui estão dez mil cruzeiros que me rendeu a
pelo do meu animal, e outros dez que recebi pelo cadáver. Se não for verdade o
que lhe digo, pode me matar".
Fulgêncio, vendo-lhe aquele ar sério,
acreditou. Como era ambicioso, e sem coração, matou uma velha criada que o
servia havia longos anos, e pegando no corpo foi levá-lo a um médico.
Quando o doutor viu aquela defunta revoltou-se,
e censurou acremente a maldade de Fulgêncio. Tendo porém, pena do pobre
toleirão, mandou-o em paz.
O lavrador voltou possesso.
VI - OS REBANHOS DO MAR
Definitivamente resolvido a acabar com a vida
de Malazarte, Fulgêncio pôs-se de emboscada.
Numa ocasião em que o apanhou descuidado,
laçou-o e após amarrado fortemente, meteu-o dentro de um saco.
Carregou-o às costas, e tomou a direção de
praia, resolvido a atirá-lo ao mar.
O moço, apesar de franzino e fraco, pesava muitíssimo.
Em meio do caminho,, Fulgêncio, sentindo-se
cansado pousou-o no chão e foi mais adiante a uma venda para se refrescar.
Tinha a certeza que lhe não escaparia o ardiloso mancebo.
Pouco depois de estar ali Malazarte sentiu passos
de gente, e para dar sinal, suspirou:
— "Ai ai! Aqui está uma pobre criatura que
hoje vai para os anjinhos!...
Quem passava era um velho pastor, conduzindo
numeroso rebanho de carneiros.
Ouvindo aquelas palavras, perguntou:
— "Quem está aí?"
— "É uma pessoa que vai para o céu!"
— "E você está aborrecido por isso?! Quem
me dera estar no seu lugar!"
— "Nada mais fácil", disse Pedro.
"Abra o saco e fique aí quietinho que daqui a pouco um anjo virá
buscá-lo".
— "Aceito", concordou o pastor.
"E como indo para o céu de nada mais preciso, tome conta do meu rebanho
para você".
Malazarte, desatado pelo pastor, saiu do saco
meteu-o dentro, e foi-se embora tocando o rebanho.
Quando Fulgêncio saiu da venda, sem dar pela
substituição, carregou o saco às costas, e atirou-o n’água.
Para chegar a casa tinha que passar pelo sítio
de Pedro. A primeira coisa que viu foi o rapaz com os carneiros.
Assim que o avistou, Malazarte correu para ele,
e bradou:
— "Muito obrigado! muito obrigado, meu
bom amigo, meu protetor".
—"Que te sucedeu, rapaz? Pois eu te
joguei ao mar?", exclamou o outro boquiaberto.
— "Atirou-me, sim. Pensei que ia morrer.
Mas assim que afundei senti que era amparado por qualquer coisa. Ao mesmo tempo
notei que me desamarravam o saco e as cordas. Fui transportado a um palácio
maravilhoso da Fada das Águas. Ela, que é uma moça formosa, tratou-me muito
bem, e deu-me este rebanho. Mandou que uns peixes me conduzissem à tona d'água
e aqui estou.
— "Ai! Pedro!" disse Fulgêncio,
"perdoa-me tudo quanto te fiz. Pelo amor de Deus atira-me também ao mar,
que eu quero um rebanho".
— "Só se o senhor for pelos seus próprios
pés".
— "Pois sim", concordou o lavrador.
Puseram-se ambos a caminho. Chegaram à beira-mar.
Fulgêncio entrou no caso, que Pedro atou com fortes cordas lançando-o em
seguida n'água.
E assim morreu Fulgêncio.
VII - AS BOTIJAS DE AZEITE
Julgando-se muito rico com os vinte mil cruzeiros,
Malazarte vendeu o rebanho que lhe dera o pastor, e a casinha onde morava, e
foi residir na capital.
Aí, principiou a viver faustosamente, metido
em companhia de fidalgos, até que teve entrada no palácio real.
Um dia, conversando com o rei, apostou como
seria capaz de trazer três escravas moças e bonitas, em troca de três botijas
de azeite que lhe desse o monarca.
Sua majestade aceitou e Pedro saiu da cidade
em busca de aventuras.
Dirigiu-se para a casa de uma velhinha, a quem
pediu hospedagem, recomendando-lhe que guardasse com cuidado as botijas de
azeite.
A velha, não tendo lugar onde as colocar, meteu-as
no poleiro.
Alta noite o rapaz levantou-se, quebrou as botijas
e besuntou de azeite as galinhas.
Pela manhã, acordando, pediu-as, e indo a velha
buscá-las, encontrou-as quebradas.
Malazarte fez grande barulho, dizendo que o
azeite era do rei.
Para acalmá-lo, a venha foi obrigada a dar-lhe
uma capoeira com seis galinhas, das melhores e mais gordas que tinha.
Só assim Pedro continuou a viagem.
Dali encaminhou-se para outras habitações e
fazendo mais ou menos as mesmas artes conseguiu trocar as galinhas por doze
perus; os perus por vinte e quatro cabras; as cabras por dois bois e, finalmente,
os bois por jóias de ouro.
Prosseguindo na jornada, encontrou alguns homens
que levavam um cadáver para enterrar.
Pedro Malazarte, fingindo-se mui cristão e caridoso,
pediu aos carregadores que lhe cedessem aquele corpo, para ele próprio inumá-lo,
em terreno sagrado.
Os homens não puseram dúvida, estimando até se
desembaraçarem daquele fardo.
Mal os carregadores viraram as costas, o moço
vestiu o cadáver, enfeitou-o com jóias, e foi bater a uma fazenda.
Disse que aquela rapariga, era a princesa, que
ela andava passeando por estar doente, e precisar mudar de ares.
Deram-lhe um quarto, onde ele deitou o corpo,
dizendo para o fazendeiro:
— "Ela custa muito a dormir, e chora como
uma criança pequena. Quando chorar, metam-lhe o chicote, pois só assim se
calará".
Pelo meio da noite, entrou no aposento, e ocultando-se
em baixo da cama onde estava a morta, começou a fazer manha.
O fazendeiro, aborrecido com aquele choro, entrou
no quarto e bateu na moça, durante muito tempo até que Pedro achou conveniente
se calar.
Quando no dia seguinte foram ver a moça, reconheceram
o cadáver.
Malazarte chorou, desesperou-se, exclamando
que estava perdido, e que o rei mandaria matá-lo e mais o dono da casa.
O fazendeiro, aflito ofereceu-lhe muitas
coisas, até que ele próprio exigiu três escravas moças e bonitas.
Dali saindo, contou ao rei o que fizera e
ganhou à aposta.
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Pesquisa, transcrição e adequação ortográfica: Iba Mendes (2025)
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